
Direção da prova foi obrigada a alterar o percurso para dar números finais à primeira etapa
A direção do Rally dos Sertões prometeu e cumpriu. A 20ª edição do rally cross country será a mais difícil. Logo no primeiro dia um fato inusitado na história da competição: nenhum carro conseguiu completar os 170 km de especial, trecho onde os pilotos correm contra o relógio. A maioria dos carros parou no quilômetro 127 da prova e forçou a direção da prova a alterar o percurso.
Com a decisão, os tempos considerados pela direção para o primeiro dia de prova são os que foram registrados até o quilômetro 85 da especial. A etapa foi considerada por competidores experientes como o pior dia da história do Sertões. "Poucos carros conseguiam passar pelo atoleiro. Passamos por ele, mas logo à frente não conseguimos nos desvencilhar de outro", relatou o piloto do MS Rally, Mauro Guedes. "Esse é o meu sexto Rally dos Sertões e nunca enfrentei uma situação como essa. Estou ansioso para ver as próximas etapas."
O carro da equipe representante de Brasília perdeu a tração nas rodas dianteiras após passar por um buraco. Mesmo com o problema, a MS Rally não foi prejudicada. A equipe fechou o dia na 14ª posição e larga para segunda etapa, nesta segunda-feira (20), às 10h57. "O mais importante é que conseguimos passar pelo trecho onde a organização decidiu encerrar a prova. Logo, não temos penalização e temos uma boa vantagem sobre outras equipes", avaliou Guedes.
Para sair do trecho da especial, Mauro Guedes e o seu navegador, Neurivan Calado contaram com a sorte. Um morador da região que dirigia um trator ajudou a desatolar o carro n° 214 e o rebocou até o lugar onde o carro de apoio pudesse da ajuda. "Contamos com a sorte. Mas até encontrarmos o trator tivemos que andar na areia fofa debaixo do sol forte. Nunca fiquei tão cansado numa etapa do Rally dos Sertões como na de hoje (19)", garantiu o piloto.
Para o segundo dia, a direção do Rally dos Sertões preparou um trecho dará muito trabalho aos navegadores. "Essa prova acontecerá em uma região que é 100% de areia, porém muito bonita", disse o diretor técnico do Rally, Eduardo Sachs.
A largada será no município de Barreirinhas (MA), onde se encontra o parque nacional dos Lençóis Maranhenses. "Teremos pelo menos uns 30 quilômetros de navegação por GPS. Vai ser uma prova muito dura até chegarmos a Bacabal. Vamos ter que unir ponto a ponto", avaliou o navegador da MS Rally, Neurivan Calado.
As equipes andarão nos pequenos lençóis, na praia, em um trecho que é possível ter a visão da areia, do mar, das dunas e também das dunas, muito interessante. A prova passará por vilas, mas com muita areia, subidas, descidas e alguns riachos, até terminarem o trecho especial próximo a uma estrada urbana. A especial do segundo dia foi batizada pelos organizadores como "a vida do viajante". O deslocamento total da segunda etapa será de 514 quilômetros.
Curiosidade e detalhes
Os números oficiais mostram que 46 duplas se inscreveram na categoria carros. Ela foi em T1-FIA, Protótipo-T1, Pró Brasil, Super Production, Production-T2. A MS Rally compete na Pró Brasil. A principal característica dessa categoria são os motores que devem usar aspiração normal, não precisam ser da mesma marca do veículo. Além disso, o restritor de ar na deve ter 38 milímetros com taxa de compressão livre.
Carros com mais de seis cilindros e sistemas de injeção de óxido nitroso e alimentação por carburador são proibidos. Câmbio sequencial também não é permitido.
Informações da segunda etapa
Barreirinhas (MA) - Bacabal (MA)
Deslocamento Inicial: 1 km
Trecho de Especial: 148 km
Deslocamento Final: 514 km
Total do dia: 514 km
Felipe Linhares
Foto: Theo Ribeiro/Webventure