
João, Ubiratan e Romeu saíram do interior do Rio Grande do Sul para conquistar o Oeste Baiano e as trilhas dos Sertões
Nos anos 1980, em busca de um novo rumo nos negócios, então em fase de dificuldades no interior do Rio Grande do Sul, os três filhos homens de Romeu e Leide Franciosi resolveram se despedir de Casca e da região colonizada por imigrantes italianos, cujos descendentes ainda hoje falam o dialeto vêneto, e decidiram arriscar o destino no distante – em todos os sentidos – Oeste Baiano.
“Na época não havia quase nada além de mato por lá. Barreiras, embora fosse a cidade-referência, ainda era muito pequena, e Luís Eduardo Magalhães, onde nos instalamos, ainda tinha o nome de Mimoso. Só que a terra era fértil e havia oportunidade de trabalhá-la”, recorda-se João Antonio Franciosi, o primogênito.
A dificuldade foi grande nos primeiros anos. Entre os episódios que marcaram os irmãos, que chegavam para a empreitada com a maior parte do capital obtida na venda de alguns tratores e máquinas usados, houve até a destruição da residência de madeira da família por cupins.
“Mas não havia a possibilidade de voltar. Nem considerávamos isso, porque não tínhamos mais nada em Casca. Sabíamos que teríamos de dar jeito de fazer a vida na Bahia”, conta Ubiratan, o Bira, segundo na ordem dos filhos.
Passados quase 30 anos desde a aventura que valia o futuro da família, Irmãos Franciosi virou sinônimo de sucesso na lavoura, pujança na economia de Luís Eduardo Magalhães e velocidade nas trilhas de terra do coração do Brasil.
João Franciosi venceu, em 2006, o Rally dos Sertões, prova que disputa anualmente sempre frequentando a lista de favoritos.
Bira encarou a prova, segunda mais importante do mundo no gênero, só abaixo do Dakar, em 2011. Logo na edição de estreia, mantinha-se entre os cinco primeiros da classificação geral, quando o carro sofreu uma quebra.
Já Romeu, recém na terceira participação já firmou reputação de competidor rápido a ser batido. Especialmente depois de vencer o lendário Stéphane Peterhansel no Super Prime 2012.
“Foi uma coisa que começou e sempre cultivamos em família, desde a época em que o dinheiro era curto e tínhamos de pedir um trator de esteira emprestado para fazer as pistas de terra nós mesmos, lá no Sul”, lembra João.
E é mesmo pela terra que os irmãos Franciosi levam o nome e o orgulho de Luís Eduardo Magalhães pelo mundo. Seja acelerando sobre ela, com a Dague Paia Rally Team (FMC/Syntium/CaseIH), seja plantando. Atualmente, o agronegócio responde por aproximadamente 60% da economia do Oeste Baiano – região que se tornou exportadora.
Os negócios do grupo comandado pelos irmãos empregam de 200 a 300 pessoas, dependendo do período do ano, em lavouras de algodão, soja e na concessionária Maxum, de máquinas CaseIH.
“O algodão da Bahia é algo muito especial, reconhecido internacionalmente pela sua qualidade. Ficamos felizes de poder contribuir um pouco com este resultado”, finaliza Romeu.
Os irmãos Franciosi encontram-se à disposição da imprensa para contar um pouco mais desta história. Em caso de interesse, favor responder neste email, para que possamos buscar contato com os pilotos na rota do Sertões, onde as condições de comunicação são complicadas.
Sobre a equipe
Pela Dague Paia Rally Team (FMC / Case IH / Petronas Syntium), João Franciosi e Rafael Capoani venceram o Rally dos Sertões de 2006, com uma Mitsubishi L200. Até hoje, foram os únicos a coseguir fazê-lo com um carro de categoria Production. Este ano, a dupla corre em parceria com a equipe Mitsubishi Triton.
Romeu Franciosi participa de seu terceiro Rally dos Sertões, enquanto Deco Muniz é o atual campeão na categoria Protótipo T-1.
Agência Fera