
Quem ouve ou lê a frase acima pela primeira vez pode achar óbvio demais seu objetivo. Mas é que no esporte, principalmente no rally cross country onde vence o mais rápido e sem reconhecimento do percurso, a prova só acaba quando piloto e navegador entram no parque de apoio, após terem passado por todo tipo de obstáculos. Ou seja, ser rápido demais nem sempre é bom. A dupla tem que saber lidar com as dificuldades além de ser veloz.
Neste sábado, terceiro dia de RN 1500, Luis Carlos Nacif e Filipe Bianchini estavam andando muito rápido, conseguindo ampliar a vantagem e já viam a liderança alguns quilômetros à frente. Porém, vamos dizer, tinha uma espécie de pedra no meio do caminho da Equipe Microcity de Rally: “Faltavam 60km para terminarmos a especial quando fui fazer uma curva e na empolgação o carro escorregou, com a roda dianteira esquerda pegando em um mourão. Naquele momento só pensava em continuar acelerando, mas fui vendo que a direção foi ficando pesada. Daí parei em uma estrada mais aberta, o Filipe desceu pra ver se tinha furado o pneu e de lá falou que isso não aconteceu, mas estava vazando óleo pra caramba. Ficamos sem direção hidráulica e daí começou outro tipo de rally: o de terminar literalmente no braço”, conta Nacif.
Foi praticamente um déjà vu do que aconteceu em agosto do ano passado, no Rally dos Sertões, quando o piloto e seu navegador titular Humberto Ribeiro, o Piauí, ficaram sem motor e sem direção hidráulica na última etapa, terminando o rally do braço. Com o aprendizado, agora no RN 1500 Nacif soube ir levando o carro com dificuldade, mas sem se machucar como em 2011. Segundo o piloto, o Filipe também ficou tenso, eles erraram algumas referências, mas aos poucos se acertaram e cruzaram a linha de chegada. “Ao passarmos em outra curva fechada, o carro ficou sem motor de arranque e não pegava. Daí além da direção dura pra caramba a dificuldade foi fazer a caminhonete pegar no tranco. Fora o calor! Cheguei ao parque de apoio achando que ia desmaiar!”, lembra o piloto.
No meio do caminho, Nacif viu o efeito dominó da dura prova entre São Miguel do Gostoso e Currais Novos: “Nos 125km de prova, foi uma sequência de carros quebrados. A gente ia passando pelo trecho e vendo todo mundo que já tinha largado na especial parado com problemas em suas caminhonetes. Mas quando vi o Riamburgo Ximenes com o carro quebrado veio tudo à cabeça! Estou disputando a liderança do rally com ele e tinha uma vantagem grande para o Marcos Moraes, terceiro colocado. Depois foi a nossa vez de parar no meio do caminho. Em meia hora, fomos líderes da prova, caímos pra segundo e depois terceiro”. Mas eles finalizaram o rally! Chegaram em décimo lugar na classificação geral e em primeiro na categoria Pró Brasil. O carro já está pronto para largar amanhã e Nacif recuperou as energias: “A cerveja tem os sais minerais suficientes para eu me restabelecer!”.
Quando questionado sobre as estratégias para este domingo, o piloto mineiro não perdoa: “Amanhã vou com a faca nos dentes! Eu gosto é de dar pressão na cabeça dos outros pra ver até onde a pessoa aguenta um carro ali atrás dela, quase encostando para a fazer andar mais rápido!”. O percurso do último dia de RN 1500 será entre Currais Novos e Natal, com 140km de especial e mais 80km de deslocamentos.
No acumulado, Nacif e Filipe são líderes da categoria Pró Brasil. Veja abaixo o resultado da classificação geral da terceira etapa e o acumulado da categoria:
3ª etapa – geral carros
1º) Mauro Schenekenberg e Neurivan Calado (Productio, carro #314) – 1h46min14s
2º) Marcos Moraes e Fabio Pedroso (Production, carro #301) – 1h47min23s
3º) Gunter Hinkelmann e Joaquim Bicudo (Super Production, carro #348) – 1h51min17s
4º) Cristiano Batista e Ronnie Von (Production, carro #380) – 1h52min18s
5º) Alberto Sousa e João Neto (Super Production, carro #316) – 1h53min16s
6º) Bartolomeu Carvalho e Idali Bosse (Super Production, carro #342) – 1h54min25s
7º) Helena Deyamane Josi Koerich (Super Production, carro #350) – 1h54min58s
8º) Regis Braga e Rogério Almeida (Super Production, carro #312) – 1h54min59s
9º) João Medina e Rogério Medeiros (Super Production, carro #326) – 1h56min21s
10º) Luis Carlos Nacif e Filipe Bianchini (Pró Brasil, carro #345) – 1h56min34s
11º) Jefferson Barbalho e Wellington Rezende (Super Produtcion, carro #375) – 1h58min 15s
Acumulado categoria Pró Brasil
1º) Luis Carlos Nacif e Filipe Bianchini #345 – 6h33min49s
2º) Marcelo Damini e Rodrigo Czech #377 – 7h43min33s
3º) Riamburgo Ximenes e Flávio França #361 – 11h9min23s
4º) Luiz Facco e Vinícius Ribeiro #310 – 11h49min39s
5º) Davison Rabecchi e Glauber Fontoura #368 – 16h50min00
Domingo, dia 15
7h – Largada da quarta etapa, de Currais Novos a Natal
Especial de 140km
Total do dia com deslocamentos 220km
15h às 16h30 – Confraternização
17h – Resultados finais e premiação
18h – Coletiva de imprensa
Por: Caroline de Paula / AcelerAção Assessoria de Imprensa
Foto: Vinícius Branca